25 de outubro a
3 de novembro de 2013
Centro Cultural e de
Exposição Ruth Cardoso
03/11/2013
Milton Hatoum fala sobre experiência e linguagem literária
Obra do escritor amazonense é pensada como forma de resistência e traz influência de etapas de sua vida entre Manaus, Brasília e São Paulo

Diana Monteiro – jornalista

A 6ª Bienal do Livro, na manhã neste domingo, 3 de novembro,  ofertou aos visitantes no último dia do evento,  a palestra do escritor, tradutor e professor brasileiro conhecido  também no exterior,  Milton Hatoum , que estreou  no mundo literário com a obra de ficção “Relato de  um certo Oriente”, onde recebeu em 2006,  o prêmio Jabuti de melhor romance.

Apresentado pela professora Ana Cláudia Aimoré, do curso de Letras da Universidade Federal de Alagoas, Milton Hatoum fez uma breve retrospectiva sobre sua vida, com reflexos na trajetória como escritor: na infância em Manaus, cidade onde nasceu, em Brasília, onde viveu a primeira juventude; e em São Paulo, onde concluiu o curso de Arquitetura na Universidade de São Paulo (USP), profissão que nunca exerceu. “A obra de Hatoun é pensar a literatura como forma de resistência”, frisou Ana Claudia.

A influência também recebida pela literatura  de autores como Graciliano Ramos, Carlos Drumond de Andrade,  Machado de Assis,  Érico Veríssimo e Jorge Amado, além de muita leitura, pois a única forma de conhecer o mundo era pela literatura, foi destacada  pelo escritor como fundamentais para a sua formação, que disse publicar a primeira obra, “Dois Irmãos”,  aos 28 anos de idade: “a narrativa pede muita paciência e é muito lenta e exige uma experiência muito sedimentar na memória, mas quando a memória é hesitante é o momento certo de escrever”, considera.

Sobre o tempo espaçado de publicação entre uma obra e outra, Milton Hatoun enfatizou  que é um escritor que não está preocupado em escrever muito só para publicar: “passei 10 anos sem publicar, pensando muito naquilo em que poderia publicar, porque a essência de uma obra é fundamental  para mim”, frisou.

Reforçando sua trajetória como escritor, Milton Hatoun destacou durante a palestra  “Experiência e Linguagem Literária” as influências no convívio familiar ouvindo histórias contadas pelo pai, comerciante em Manaus, de origem libanesa, e o  despertar  por idiomas, principalmente para a língua francesa. Disse ter recebido desde criança, influência da avó, que conversava em árabe e rezava em francês, reforçado por uma professora dessa língua,  quando tinha 12 anos de idade. “Aprendi dois ou três idiomas e o francês  foi central na minha formação”, enfatizou.

A de vida em suas obras

Passando pela infância e adentrando pela juventude em capitais como São Paulo e Brasília importantes para a trajetória como escritor ,  é marcante a influência de Manaus, cidade onde nasceu, em algumas obras de Milton Hatoun. No primeiro romance publicado, “Dois Irmãos”,  que o escritor considera-o um romance ambicioso, retoma os temas do drama familiar e da casa que se desfaz. O enredo desta vez tem como centro a história de dois irmãos gêmeos - Yaqub e Omar - e suas relações com a mãe, o pai e a irmã.

Eles moram na mesma casa Domingas, empregada da família, e seu filho, um menino cuja infância é moldada justamente por esta condição: ser o filho da empregada. “Dois irmãos” é a história de como se constroem as relações de identidade e diferença nessa casa. Mas o lugar da família se estende ao espaço de Manaus, o porto à margem do rio Negro: a cidade e o rio, metáforas das ruínas e da passagem do tempo, acompanham o andamento do drama familiar.

A obra “Órfão do Eldorado”, retrata o tempo em que Manaus, ou Manoa, era sinônimo de Eldorado a cidade prodigiosa que atiçava os sonhos febris dos navegantes e conquistadores europeus ao mesmo tempo que se furtava a todo esforço de localização. Essa miragem, que os desejos humanos engendraram e a história humana não cansou de dissolver, serve de mote a Órfãos do Eldorado, novela que dá seqüência à exploração ficcional do Norte brasileiro empreendida por Milton Hatoum desde “Relato de um certo Oriente.

No terceiro romance publicado “Cinzas do Norte”, o autor faz um de relato de uma longa revolta e do esforço de compreendê-la. A revolta cabe a Raimundo, rebento raivoso de uma família cindida ao meio e cuja vocação artística colide com os planos do pai; a tentativa de compreensão recai sobre Olavo, órfão industrioso que sobe na vida – se esse é o termo – à sombra imperial de Trajano Mattoso, pai de Mundo, comerciante rico, amigo de militares. O centro simbólico do livro não está, contudo, na Manaus do pós-guerra que vive os últimos dias da boa-vida extrativista e onde boa parte da ação se dá, mas rio abaixo, em Vila Amazônia, palacete junto a Parintins, sede de uma plantação de juta e pesadelo máximo de Mundo.

Conheça mais sobre o autor Milton Hatoun pelo site http: / www.miltonhatoum.com.br.

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