25 de outubro a
3 de novembro de 2013
Centro Cultural e de
Exposição Ruth Cardoso
03/11/2013
“Sou um homem feminino e femisnista”, disse João Nery, primeiro transgênero brasileiro
Primeiro Transhomem operado no Brasil participa de debate sobre diversidade e conversa com Ascom

Silvia Shayline – Jornalista

Nascido mulher, batizado inicialmente de Joana, a quem ele respeita muito e é imensamente grato, João Nery é um homem feminino e feminista. Isso mesmo, ele defende os direitos das mulheres e classifica o machismo como a verdadeira patologia da humanidade. “É a partir do machismo que os homossexuais são agredidos, que as mulheres são espancadas”, falou.

Inspiração para o projeto de Lei 5.002/2013 – de autoria e coautoria dos deputados Jean Wyllys e Éricka Kokay –, João é um defensor do fim binarismo, que classifica homens e mulheres, para ele somos indivíduos muito além da categoria identitária. “Não há nenhuma lei que defenda o homossexual, essa lei promove sem laudo, sem hormônios, sem advogado, sem cirurgia a ‘despatologização’ da mudança de gênero em qualquer cartório”, explica.

João explica que a burocracia vai muito além dos interesses dos transgêneros, para ele, não é o corpo que determina a sexualidade e que a cirurgia é uma readequação corporal. “Nem todo trans quer se transformar”, revela. Ele explica que a transformação, em alguns casos, causam danos psicológicos que podem levar o individuo ao suicídio ou depressão por sentir a rejeição da sociedade.

Durante a conversa, o escritor, chamou atenção para políticas públicas para aumentar o número de centros cirúrgicos para mudança de sexo – atualmente existem 4 em todo Brasil pelo SUS e um deles não está mais fazendo inscrições por estar lotado –, preparação de médicos e planos de saúde, trabalho social com familiares do trans, combate ao machismo – iniciando o trabalho dentro das escolas, que é dali que começa a produção e reprodução de homofobia – e acabar com essa ideia de que homossexualidade é doença. “A lei contra a homofobia precisa ser aprovada para que as portas se abram para a realização de trabalhos, inclusive com as crianças”, comentou.

Quando o assunto é família, João não se intimida e fala que sua família é “transafetiva”. Sua relação com seus pais é muito boa. Ele lembra que a primeira conversa com a mãe, aconteceu aos 19 anos e ela procurava onde errou e ela não errou. A natureza foi quem aprisionou esse homem num corpo de mulher. Recentemente, ele ganhou de seu pai um terno que era dele e não servia mais, para João esse ato foi de extrema alegria. Ser pai é um sonho realizado e o maior de seus orgulhos, após a “superação de um chifre” (como ele mesmo brinca), a vivencia com seu filho é de muita cumplicidade e amizade, superando qualquer laço de sangue ou preconceito. “Desde pequeno fui preparando meu filho para a minha história, ele sempre respeitou homossexuais e nunca teve aversão a eles, pelo contrário sempre conversou. Meu filho é heterossexual e o homem que qualquer mulher gostaria de ter, porque ele discute a relação, passeia em shopping”, revelou.

João Nery tem um fundamental papel de apoiar os indivíduos que se sentem aprisionados em seu corpo. Por isso ele orienta que “peçam ajuda, leiam o sue livro e denunciem a homofobia”, além disso, ele está à disposição para conversar sobre o assunto por meio do Facebook (João W.Nery II), principal rede de relacionamento.

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